9 formas pelas quais você, líder, pode estar se sabotando

06.01.2017
Se você for líder de uma equipe, uma empresa ou um departamento, você já deve ter tido, em algum momento, aquele pensamento: “Nossa, devo estar me sabotando”.  Seja porque você procrastinou algo importante ou porque você não conseguiu dizer um “NÃO” a alguém. Ou quem sabe, porque você está com um monte de tarefas acumuladas, que não terminam nunca. Dificuldade de delegar? Trabalhar desnecessariamente até tarde e levar tarefas para casa? Não conseguir se posicionar,
não conseguir se organizar, estar sempre cansado, pensando em mil coisas e projetos?
líder

Pois é. Eu tenho uma boa e uma má notícia para você: a má notícia é que você está se sabotando. E a boa notícia é que você está se sabotando. Isso mesmo! Eu não escrevi errado e você leu direitinho. Vou explicar. Todos nós estamos nos sabotando. A questão não é SE estamos nos sabotando. A questão COMO estamos nos sabotando. A autossabotagem é um mecanismo de sobrevivência do ser humano e, acredite, só estamos vivos porque nos sabotamos. Então, parabéns! Você está se sabotando e por isso está vivo! Eu não sei você, mas eu costumava ser bastante cética em relação a esses assuntos de desenvolvimento humano. E sabe o que eu descobri? Que existe um estudo e uma matemática por trás da autossabotagem. Durante meus estudos em coaching, eu descobri um pesquisador, chamado Shirzad Chamine, que atualmente é docente em Stanford, onde fez seu mestrado em Engenharia Elétrica. Durante seu doutorado em Neurociência, ele estudou a chamada Inteligência Positiva, e identificou os 9 sabotadores existentes nos seres humanos. Sabe o que isso que dizer? Que nos sabotamos de 9 formas diferentes, através de 9 sabotadores. O fato é que alguns desses sabotadores nos atrapalham mais do que os outros, e isso varia de pessoa para pessoa, conforme suas experiências de vida. Mas afinal, se sabotador é bom ou ruim? Como eu falei, são os sabotadores que nos mantém vivos. No entanto, os estudos da Inteligência Positiva indicam que, se nos sabotarmos por mais do que 25% do tempo em que estamos acordados, então não estaremos atuando com todo o nosso potencial. Isso quer dizer que precisamos estar atuando fora do modo de autossabotagem por 75% do tempo. Quando conseguimos isso, estamos atuando em alta performance, de forma positiva e sabia, tomando as melhores decisões e atuando de forma assertiva em nossas vidas. O problema é que, segundo os estudos de Chamine, apenas 20% (V-I-N-T-E por cento) das pessoas estão atuando com todo o seu potencial. Todo o resto do mundo (80% das pessoas) está se sabotando por mais tempo do que deveriam, andando para trás, se culpando, sentindo-se frustradas, cansadas, ansiosas. Se você, líder, sente ansiedade, cansaço, frustração, apatia, raiva, medo, ou qualquer outro sentimento ruim, é muito provável que você esteja se sabotando por mais tempo do que o necessário para sua sobrevivência. Está na hora de você se conscientizar dos seus sabotadores, dominar seus pensamentos de sabotagem e atuar com todo o seu potencial.
A seguir, os 9 sabotadores que pode estar te sabotando, líder: 
  • Prestativo: é a pessoa com dificuldade de dizer “NÃO”. O líder prestativo tem dificuldade em dizer para seu liderado que ele não pode faltar ao trabalho amanhã, quando ele pede. O líder prestativo tem dificuldade de delegar, “porque todos já estão muito cheio de tarefas”, então ele se sobrecarrega sozinho. Ele tenta ajudar a todos, e nunca pede ajuda de ninguém. Ele tente a colocar as necessidades de todas as outras pessoas à frente das suas próprias necessidades. Esse líder tem dificuldade de ir ao médico durante o expediente, mesmo que precise muito, porque afinal, “o que os outros vão pensar” ou “a empresa precisa muito de mim”. Lembre-se de que não é errado ajudar os outros. A autossabotagem aparece quando isso ocorre em excesso, a ponto de prejudicar o desempenho e até a saúde do profissional.
  • Insistente (Perfeccionista): o líder insistente (eu gosto mais de chamar de perfeccionista) é aquele que gosta de tudo perfeito. Ele corrige cada vírgula dos relatórios, pede para refazer a mesma tarefa diversas vezes, até que ela fique perfeita. Ele tem grande dificuldade de delegar, porque “ninguém sabe fazer bem-feito igual a ele, então melhor ele mesmo fazer”. Ele está recorrentemente frustrado, pois seus altos padrões de qualidade dificilmente são alcançados, até mesmo por ele próprio. Foca muito mais no detalhe e na forma do que no resultado. Ele cansa sua equipe e costuma estar sempre cansado também, pois possui uma autocrítica muito forte em relação à excelência e também em relação aos outros. É claro que as coisas precisam ser bem feitas e com qualidade. O problema é o excesso, a falta de foco no resultado e as consequências de saúde e de relacionamento que o sabotador causa. A melhor frase para se dizer a alguém que esteja se sabotando através do Insistente é: feito é melhor que perfeito!
  • Controlador: como o próprio nome fala, o Líder que possui este sabotador quer controlar tudo. Ele quer controlar as tarefas, as pessoas e os resultados. Ele tem dificuldade de delegar tarefas, pois tem muito medo de perder o controle das mesmas. Assim, ele se sobrecarrega, simplesmente porque sente que centralizando tudo, ele mantém o controle. Aliás, dentro das empresas, é muito comum o líder que possui o Controlador ser chamado de “centralizador”. Em seus pensamentos, o Controlador acredita que “ou está no controle ou está fora do controle”. A equipe pode entender que o líder não confia nela, já que ele não conta com a colaboração das pessoas, o que pode gerar afastamento e falta de engajamento dos colaboradores.
  • Hiper-Realizador:  o líder que possui este sabotador é aquele que está sempre fazendo mil e uma coisas. Também conhecido como workaholic. Ele faz tudo rápido, responde e-mail quase na mesma hora em que recebe. Ele não delega porque “até explicar o que tem que fazer, vai demorar muito, então é melhor fazer eu mesmo”. Como ele está sempre com muitas coisas para fazer e realizando tudo, ele pode esquecer-se de alguma dessas coisas e acabar deixando de fazer algo verdadeiramente importante. Por ser assim, ele foca em tarefas, e não em resultados. Ele se sente culpado quando não está trabalhando, leva trabalho para casa e fica até tarde na empresa. Até mesmo quando está em momentos de lazer, costuma lembrar de algo relacionado ao trabalho e sentir-se mal por não estar dedicando seu tempo a ele. O Hiper-realizador precisa aprender a ter mais equilíbrio, pois até mesmo sua saúde poderá estar em risco.
  • Esquivo: este Líder procrastina por procrastinar. É o procrastinador nato. Ele não faz o que precisa fazer porque é “chato” ou porque “é muito difícil”. É o tradicional líder que está cheio de dinheiro no banco, mas atrasa o pagamento de um boleto e paga multa depois, porque procrastinou tanto o pagamento, que perdeu o prazo. Afinal, é chato pagar boleto, né? Ele também se esquiva de conversas difíceis e é a pessoa do não-conflito. No fundo, ele espera que as coisas se resolvam por si só.
  • Hiper-Racional: é muito fácil identificar o Líder Hiper-Racional. Ele adora as frases “Mas isso é lógico” e “Isso não faz sentido”. Extremamente racional, atua sempre pela lógica. Julga os outros e a si mesmo pelo conhecimento e racionalidade. Normalmente, tem dificuldade de relacionamento com sua equipe e de criar empatia. Pode ser visto com uma pessoa fria e distante. No fundo, o hiper-racional está apenas evitando emoções que possam “atrapalhá-lo”.
  • Hipervigilante: a frase do líder Hipervigilante é: qual é a próxima coisa que vai dar errado? Ele tem plano A, B, C, D e todo o alfabeto. Ele sofre por antecedência e “prevê” todos os problemas que poderão acontecer, de forma a ficar, muitas vezes, paralisado, e não fazer o que deve ser feito. Ele sempre pensa que os outros não irão fazer o que precisa fazer, então tem dificuldade de delegar. Sua procrastinação vem do fato de que, se ele fizer o que precisa fazer, alguma coisa pode dar errado, então ele fica “calculando” e esperando o melhor momento (que nunca chega) para fazer o que precisa ser feito. É claro que é bom antevermos os possíveis problemas e os contras de determinada situações, mas isso em excesso, sabota a atuação do líder.
  • Inquieto: o líder Inquieto está sempre pensando em mil e uma coisas. Mal consegue dormir, de tantas ideias, tantas coisas para fazer. É muita iniciativa e “pouca acabativa”. Ele é ótimo para ter ideias e iniciar projetos, mas tem muita dificuldade de terminar e se dedicar até o final. A mente não para. Ele inicia a leitura de vários livros e não termina nenhum. Ele não tem dificuldade de delegar, muito pelo contrário. Ele “delarga”. Ele entrega a tarefa para uma pessoa e depois esquece. Ele precisa aprender a ter foco, presença e a entregar seus projetos.
  • Vítima: como o próprio nome fala, a vítima é aquela “coitada”. Para o Líder vítima, tudo dá errado para ele. A equipe dele é a pior, a estrutura dele é a pior, os clientes são os piores. Está sempre reclamando, sem fazer nada para solucionar. O mundo externo é sempre o problema. No fundo, está sempre esperando que alguém o salve, que alguém resolva seus problemas. Este líder precisa aprender a se responsabilizar, parar de reclamar.
A pergunta tradicional que ouço: tenho conserto? Claro que sim! Todos temos. Estando conscientes de nossos principais sabotadores, precisamos estar presentes para eles no dia-a-dia, controlar os pensamentos que surgem e começar a agir de forma diferente. Por exemplo: estou com dificuldade de delegar, porque acredito que os outros não farão tão bem quanto eu? Então preciso começar a delegar, dar um voto de confiança à equipe e mudar meus hábitos. Eu garanto que é libertador! Não consigo ir embora às 18h e preciso ficar trabalhando até tarde? Desafio você a ir embora no horário correto e, no outro dia, focar no que realmente é importante, até você criar novos hábitos. Agora imagine: se você não tivesse um mínimo de Hipervigilante, iria atravessar a rua sem olhar para os lados. Entende como eles são importantes? O único problema é que eles não podem atuar em nossos pensamentos por mais de 25% do tempo em que estamos acordados. Algo importante a ser dito: seu sabotador não define você. Não é um carimbo. Você não é o seu sabotador. Você não é Prestativo, por exemplo. Você apenas está sob a influência desse sabotador, e com trabalho diário e constante, você pode diminuir drasticamente a influência de todos eles e passar a atuar com todo o seu potencial, em alto desempenho. Não se sabote. Se supere! Artigo escrito pela Coach do EAG Empresa Autogerenciável, Chris Bites Quer saber mais sobre esse assunto? ]]>
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QUEM É MARCELO GERMANO

  • Marcelo Germano, empresário há mais de 25 anos e dono de 5 empresas de diferentes segmentos, criador do método Empresa Autogerenciável.

  • Criou o método para ajudar o dono de uma pequena ou média empresa, que esteja vivendo no caos com os seus funcionários, a conquistar uma equipe que não dependa dele para funcionar.

  • CONHEÇA MAIS SOBRE O MARCELO

QUEM É ROGÉRIO VALENTIM

  • Empresário com experiência em vários segmentos, atuando como CEO no EAG - Empresa Autogerenciável.

  • Formado em Propaganda e Marketing pela ESPM, também é CEO na Lumma Despachante e sócio-fundador na Techslab. 

  • CONHEÇA MAIS SOBRE O ROGÉRIO